PICADEIRO BRASIL
Obra de Paulo Flores fica em 4o lugar em Cuba.

Flores, Rubalcaba, Chucho, Pardo e Sanabria
Mantendo-se a tradição, a Salsa é a grande vencedora do III Prêmio Sgae de Jazz Latino, tendo ocupado os três primeiros lugares com Alain Pérez (Cuba) em 1o, José Luiz Madueño (Perú) em 2o e José Rivero (Cuba) e Perico Sambeat (Espanha) em 3o. Todas as 8 obras finalistas possuíam um alto nível técnico, criando assim grandes dificuldades para os jurados e exigindo largas e rigorosas deliberações, como explicou o coordenador geral do prêmio, José Amer. O quarto Lugar foi para Paulo Eduardo Flores (Brasil); o quinto, Felipe Weisz (Brasil), o sexto, Albert Sanz (Espanha) e o sétimo, Víctor Taboada (Colômbia). O juri foi composto pelos pianistas cubanos Chucho Valdés (presidente) e Gonzalo Rubalcaba, pelo flautista e saxofonista espanhol, Jorge Pardo, pelo percussionista porto-riquenho, Bobby Sanabria e pelo flautista americano Dave Valentin. Todas as 8 obras foram apresentadas, na noite de sábado, 14 de dezembro, na Sala Sinfônica do Teatro Amadeo Roldán, pelo Quinteto Irakere dirigido pelo contrabaixista Jorge Reyes e composto pelos músicos cubanos German Velazco, sax; Javier Zalba, flauta; Roman Filiu, sax; Emílio Morales, piano; Roberto Riveron, baixo elétrico; Enrique Pla, bateria e Adel Gonzalez, percussão. O anúncio oficial e a entrega dos prêmios foi feita no domingo, dia 15, seguida da apresentação do Supernova, Gonzalo Rubalcaba Trio.
O
Prêmio fez parte do XX Festival Internacional, Jazz Plaza 2002, de 11 a 15 de
dezembro, na cidade de Havana, Cuba, onde se apresentaram nomes como: Michel
Camilo, Franke Milio, Chucho Valdéz, Fernando Trueba, Sergio Vitier, Bobby
Carcassés, Rey Guerra, "Maracas" Valle, Angélica Salvador, Giraldo
Piloto e Klimax, Abe Rábade Trio, Jorge Pardo, Gonzalo Rubalcaba, Ermán
López-Nussa, Rolando Luna, Ramón Valle, Kanny Barron, Bobby Sanábria, Dave
Valentin, Joe Lovano, José Armando Gola, David
Murray, Roy Hargrove, Uri Caine, Larry Coryell, e o bluesman Taj Mahal
entre outros.
Fim
de festa com Gismonti
Depois de cinco dias de jazz ininterrupto, o Festival Internacional Jazz Plaza
de La Habana chegou ao seu final, com o concerto de encerramento a cargo do
compositor, pianista e violonista brasileiro Egberto Gismonti, acompanhado
pela Orquestra Sinfônica de Cuba, dirigida pelo maestro Leo Brouwer. A memorável
atuação teve lugar no superlotado Teatro Karl Marx.
Entrevista com Paulo Flores
Paulo Flores
Picadeiro Brasil - O que você achou da sua colocação?
Paulo Flores - Bem, não podemos ver a coisa como uma colocação, ela é bem mais complexa. Primeiro, julgar arte é uma coisa um tanto difícil, tem-se que criar critérios que não sejam apenas o gosto pessoal, o "ah, eu gostei desta"!
Picadeiro Brasil - E que critérios foram usados?
Paulo Flores - Não dá para afirmar, mas com certeza foi dada a prioridade para o que dizem ser o Jazz Latino, ou seja, jazz com influência afro-cubana, já que os três primeiros lugares foram Salsas.
Picadeiro Brasil - Você achou isto justo?
Paulo Flores - Não é o caso de ser justo ou não, é uma realidade que pode ser mudada. Das 8 músicas 4 eram Salsas e as outras, Choro-Maracatu,Jazz, uma espécie de guarânia espanhola, que não sei o nome e uma com muitas influências eruditas, muito contraponto, muito bonita. Acredito que das 112 músicas apresentadas deveriam haver outras Salsas outros Jazz e outras coisas que não foram selecionadas. Dá pra perceber que a coisa está mudando.
Picadeiro Brasil - Qual foi a repercussão da sua música?
Paulo Flores - Realmente eu fiquei muito feliz e satisfeito com o sucesso que fez minha música entre os cubanos. O organizador José Amer, numa reunião com os finalistas, falando dos critérios usados na classificação, citou o quanto os jurados, Chucho, Gonzalo e Pardo, ouviram determinadas músicas para entender a composição, as estruturas, o material empregado, e de repente, saiu cantando a minha como exemplo. Ora, creio que gostaram muito, e como disseram meus colegas finalistas após a apresentação - " se houver um voto popular, você ganhou! Foi a mais aplaudida!" E realmente as pessoas ficaram cantarolando, no saguão depois da apresentação. Fiquei muito contente.
Picadeiro Brasil - E o Irakere, como tocou a sua música?
Paulo Flores - É, não foi fácil! Para os cubanos os ritmos brasileiros são totalmente desconhecidos, com exceção do samba, eles não conhecem nada. Ficamos todos, os não "salseiros", apreensivos com esta dificuldade que os músicos tiveram para tocar. Foi pouco tempo de ensaio e realmente ficou muito a desejar. Os músicos cubanos são fantásticos, o nível técnico principalmente de pianistas e instrumentistas de sopro é absurdo, uma coisa nunca vista. Todos os músicos que ouvi tocavam muito bem, ótimos improvisadores. Eles tocam Salsa e improvisam Bebop. É uma realidade muito longe da nossa.
Picadeiro Brasil - E agora, planos?
Paulo Flores - Sem dúvida! Em janeiro começo gravar um novo CD. Alguns convites vieram como da Colômbia, para tocarmos em um Festival de Jazz em setembro, vamos ver. Outra possibilidade é de a Sgae patrocinar, aqui no Brasil, um Festival de Jazz. Na área de edução estamos acertando com o ISA (Instituto Superior de Arte) de Cuba a criação de intercâmbio com o Conservatório de Tatuí , isto é quase certo.Também estamos esperando verba para a realização do III Brasilinstrumental, que ainda não veio. Novo presidente, novo tudo! Ninguém sabe se vai ou se fica. Mas estamos tentando, já está com a Lei Rouanet do Ministério da Cultura. Agora só falta o dinheiro. Tem algum aí?
Picadeiro Brasil - E os Festivais?
Paulo Flores - Vamos continuar atrás deles.. Aqui no Brasil são poucos os Festivais de música instrumental.Se todos os Festivais de música cantada dessem um espaço para o instrumental, como fazem Avaré e Londrina, teríamos mais chance de mostrar nosso trabalho. Eu não posso reclamar, com esta música Espírito da Coisa, que fui 4o em Cuba, já fui 1o em Avaré em 2000 e 2001 em Londrina. Com outra, 2 Hemisférios, para Big Band,que fiz em parceria com o Band-Leader e trompetista americano, Daniel Barry, fui 2o em Londrina em 2001 e Melhor Arranjo em Avaré 2002. Para 2003 a Sgae promove o Prêmio de Jazz em Barcelona. Vamos tentar. Divulgar a nossa cultura, já é um grande passo. Ninguém conheça música brasileira fora daquí. Onde estão os nossos promotores. Executivos da música, acordem! Vocês estão perdendo um dos maiores produtos de exportação que temos! ACORDEM!!!
ALUNOS DO BRASIL QUEBRAM TUDO EM CUBA

Fabinho, Danilo, Chico, Digão. Na canja: Felipe e Flores
Para os alunos brasileiros que ganharam bolsas para participar do XX Jazz Plaza, a vida foi bem agitada. Junto com outros 14 estudantes do Perú, Madrid, Argentina e Barcelona, tiveram 5 dias de agenda cheia. Pela manhã, workshop no ISA (Instituto Superior de Artes), a tarde palestras e debates, final da tarde Shows, a noite mais Shows acontecendo simultaneamente em vários teatros de Havana, fim da noite apresentação dos bolsistas e Jam Session. O convívio entre os estudantes foi grande riqueza, onde pudermos perceber que o nível de nossos estudantes é bom comparado a estudantes da américa latina ou mesmo espanha, porém, comparado aos cubanos, estamos na pré-escola da improvisação. Nas Jam Sessions os cubanos faziam fila para tocar, como no filme "Bird", que conta a história de Charlie Parker. Trompetistas, saxofonistas, trombonistas, grupos inteiros, quarteto de sax, etc. tudo que se possa imaginar, todos tocando muito, mas, muito mesmo. Como disse o Fabinho "aqui em Cuba tocar bem é o normal!".
A apresentação dos estudantes brasileiros aconteceu, no Hotel Presidente, na noite de domingo. Primeiro houve as apresentações dos duos. Danilo Penteado (baixo) e Chico Santana (percussão) se apresentaram primeiro. Tocando temas do repertório brasileiro, como Asa Branca, dentro da estrutura improvisativa do jazz, os rapazes da Unicamp mostraram uma forma divertida e irônica de desenvolver seus arranjos e improvisos. Em seguida se apresentaram os estudantes de Tatuí, Rodrigo Brás (bateria) e Fabio Leal (guitarra). Com temas de Hermeto Pascoal e de autoria própria o duo mostrou uma maneira brasileira de improvisação, com uma eterna busca de idéias rítmicas e melódicas inspiradas no nosso folclore. Após a apresentação os dois duos se juntaram e convidaram os compositores brasileiros Felipe Weisz e Paulo Flores para uma canja em dois temas de Hermeto Pascoal. Fim de noite, de Show, de Festival. Festa! Parabéns pra esta moçada e que aprendam com humildade esta lição em Cuba.