PAULO
FLORES
II Festival! Nossa! Falar de sonhos é coisa grande! Grande é sonhar! Sem eles, o que somos? Sem tê-los, como realizá-los? Qualquer um que seja! Matéria! Coisas palpáveis! Dinheiro! Coisas compráveis!
Sonhá-las! Um carro, uma casa, um cd player, umas férias na praia! Ou no campo? Sonhar coisas! Quem está vacinado contra isto? Todos sonhamos! Mas sonhos, desejos, vontades, são cotidianos! Vamos dormir almejando os sonhos. Talvez nos parcos momentos do encontro, colchão e travesseiro, nos reabilitemos para as frustrações cotidianas. Ora, na verdade, parcos são nossos sonhos, que são parcos na chance de serem reais.
Para que sonhar, se a possibilidade de concretização é sonho? Sonho bom e sonho ruim. Se não tem chance de acontecer, não é sonho, é pesadelo.
Um amigo meu me disse uma vez, que é melhor um fim com susto, do que um susto sem fim! Aquela sensação de afogamento pelo suspiro? Aquela coisa do “só ar que entra”! Nossa! É melhor desafogar! Xingar a mãe! Exortar a existência! Concretizar sonhos é viver na expectativa da calamidade. Porém, é viver na loteria da felicidade. Ser feliz não é o cotidiano, mas é a glória. Um momento de felicidade vale mais que cem momentos de frustrações. Conquistar o sonho é a plenitude da vida.
E como dizia o poeta – “Que seja infinito enquanto dure”!
Sejamos poetas e sonhemos! Mesmo que, talvez, o sonho não se torne realidade. SutÍl é a realidade; concreto é o sonho!
Mesmo que as verbas não venham; mesmo que a coisa não se concretize na matéria torpe, ela existe! O amor é imaterial – e nós sentimos! A poesia, a arte de fazer versos ou juntar notas é imaterial – e ela existe! Ela é parte integrante de nós, “é nós”! O CGC, o IPVA, o CIC, o RG, a 172-32-005294-2, o CEP, o 0-0001 ou qualquer que seja a sua condição social, não é a sua realidade. Você não se vê um CEP ou um IPVA! Estes sonhos não são nossos, porém, nós compramos!
Vamos nos tornar vendedores, como artistas que somos, e acreditar que nossas propostas sonhativas são mais valiosas e mais viáveis, democráticas. Nós somos senhores do mundo! Nós somos DEUSES! Nós somos os sonhos, se não tivermos medo deles, ou de nós mesmos!
III Festival! Será sonho?
DEPOIMENTOS
Hermeto Pascoal
“Até que enfim apareceram empresários inteligentes, patrocinadores inteligentes. Não é investir nisso aí, que dizem que o público gosta, esta música descartável. O público gosta disto que sai de dentro da gente como poesia, a verdadeira música, a música boa, a poesia esta nas próprias notas e no ouvido de quem escuta. É a música instrumental, mas eu gosto de chamar de música pura. Música não é pra gente entender é pra gente sentir. Eu fui aprender teoria depois dos 45 anos de idade. Foi muito bom pra mim. Desenvolveu muito a minha cabeça. Falando de Festival , eu acho que este já começou com o pé direito, quem patrocina um Festival deste é inteligente, porque a música boa tem uma essência muito bonita e só vai fazer as pessoas evoluírem, terem uma evolução. Eu quero dizer pra vocês que isto é uma aula! Não tem no mundo! Eu nunca toquei, na minha vida, num Festival que tivesse um nível tão grande como este aqui. Espero voltar aqui no ano que vem, agora com o grupo. Vocês vão conseguir mais patrocinadores inteligentes”.
Toninho
Horta
“Eu me sinto como um dos caras que batalhou pela MPB instrumental. Se não fossem os músicos não existiriam os cantores. Hoje os músicos dependem muito dos cantores. Acho que não deveriam poder cercear os espaços da nossa cultura. Deveríamos poder dividir mais estes espaços, na mídia e não bloquear o acesso das pessoas a esta música não cantada. Hoje o espaço tá difícil, cada vez mais complicado, mas, a questão é a gente insistir, nos unirmos e continuaremos batalhando como velhos operários do som. E agradeço por esta oportunidade de estar do lado de tanta gente boa, importante da MPB instrumental. É só com gente de cabeça organizando que se consegue fazer isto. E é assim que acreditamos que possa haver um futuro para o músico brasileiro aqui na sua própria terra”.
Arrigo Barnabé
“Importante demais, acontecerem coisas assim! Festival com caráter de informação é muito bom, porque, ajuda no desenvolvimento dos jovens, dos novos, criando espaços para divulgação dos trabalhos para um público espefícico, mostrar que existem outras coisas, que não só o que aí está. O nível geral da música, nos meios de comunicação, caiu bastante. A preocupação com a qualidade não existe mais. Ninguém, os Srs. da Mídia, se importa mais com a estética. Este Festival é único por se preocupar com o público formador, estudantes e profissionais. Acho muito importante esta iniciativa e espero que permaneça!”
Eduardo
Contrera
“A vida inteira eu venho tentando fazer uma síntese do candomblé, das influências externas, com este fundamento rítmico afro-brasileiro. Esta visão universal da música, que não é o que interessa para o mercado, para a mídia. Acho que tem muitas correntes e muita coisa boa acontecendo. Veja aqui as pessoas que estão tocando, fazendo workshops, todas juntas num mesmo lugar trocando idéias. Acho que assim podemos fazer uma música brasileira nova, com novos fundamentos rítmicos, uma síntese cultural. É isto que eu acredito, estar fazendo parte deste movimento. Estamos construindo uma identidade nacional”.
Nenê
“Vocês estão de parabéns pelo evento! É o segundo que vocês conseguem realizar. Eu sei que o esforço é bem grande. Isto é super importante, não só pra mim, como pra todos os músicos do Brasil, por ser aquilo que a gente vem batalhando há muito tempo, a música instrumental. Ela foi muito interessante nos anos 60 e depois impedida de ser divulgada em todos os veículos de mídia, houve uma podagem neste estilo de música. Acho importante, também, para as pessoas que escutam música, pois, elas passam a ter um opção de escolha artística, não só a visão da música popularesca que a TV nos força a escutar. Por outro lado é muito importante para que a gente mostre o nosso trabalho, tão escasso de espaços, tanto para shows como em gravações, TVs, etc. Este Festival, de repente, bem pode se tornar internacional, levando a nossa música para fora. Estou hiper contente de participar e gostaria que fosse uma coisa duradoura. Que os patrocinadores continuem a investir no Festival”.
Rogério
Boccato
“Quanto ao Brasil Instrumental, achei que estava tão em cima da hora, que não acreditei que rolasse. Mas rolou! E que programação maravilhosa! Esta intenção de dar força pra música instrumental realmente vingou, todos sacaram isto. Espero que aconteça todo ano. Amigos meus de N.Y. me mandaram e-mails para saber se isto era real. - Estes caras todos, aí, juntos? Se eles vissem o Hermeto regendo a banda de um lado, a platéia do outro e mais um bando de músicos, eles ficariam loucos. Pra mim é um prazer participar. Parabéns e bola pra frente”.
Betinho
Sodré
“Este Festival é de uma importância muito grande. Nunca ouvi falar de um trabalho tão grande assim, com tantos shows e workshops. Isto é muito importante para que haja um saneamento na MPB que vem passando por um momento muito ruim. Trocar informações com as pessoas que participam é extremamente fundamental. É o Festival mais importante do Brasil”.
Maestro
Neves
“O Festival vem preencher uma lacuna no momento do ensino da música brasileira. O conservatório vem buscando dar espaço, não só para a música erudita, como também para a contemporânea e a MPB, que é de grande respeito em todo o mundo, mas infelizmente, este mesmo respeito ela nem sempre tem em seu país de origem. Nós como escola temos a responsabilidade de abrir as portas para estes grandes instrumentistas que aqui estão, mas não só para shows, como também para dar acesso aos alunos e as pessoas interessadas no trabalho e na troca de informações. Acredito que desta forma o conservatório está preenchendo um espaço que veio para ficar. Espero que no próximo ano, possamos aprimorar mais este trabalho, para que estes músicos que estão aí nesta batalha possam ser reconhecidos aqui como são no exterior”.
Cláudio
Leal Ferreira
“Quanto a MPB instrumental pode-se pensar sobre dois aspectos: o de consumo e o da execução. Quanto a execução está como sempre esteve, com ótima qualidade. Quanto ao consumo existe a questão do espaço, divulgação. Não acho que seja uma coisa setorizada, acho que é mundial, pois, isto se deve ao fato de ser música pura, por ser mais abstrata e de maior dificuldade de absorção. Para resolver este problema devemos dar ênfase na educação, na formação, na difusão, com apoios públicos e privados. Educar é responsabilidade de todos. Patrocinadores devem ver a médio e longo prazo. Investir no público, investir na formação e não só nos dividendos imediatos dos eventos”.
André
Mehmari
“Primeiro, estou muito contente de estar aqui, participando deste projeto que é muito bonito, muito nobre. Um projeto neste sentido de dar oportunidade para músicos instrumentistas de boa qualidade é muito raro e muito bom. Fico feliz de estar inserido neste contexto, com estes excelentes músicos. Espero participar disto outras vezes. E quero parabenizar os organizadores por este esforço, que é muito bom e muito bonito”.
Mônica
Salmaso
“É muito bonito de ver música viva, a gente que faz música viva fica muito feliz quando encontra uma oportunidade de ver gente aprendendo e buscando fazer isto. Gente que se preocupa com o conteúdo, na construção da música mais que em qualquer outra coisa. O público que a gente encontrou aqui é um público de sonho! Gente que se preocupa em beber a música. Isto é uma boa notícia. Este Festival é uma das boas notícias que estão acontecendo no cenário da música brasileira”.
Benjamin
Taubkin
“A música instrumental no Brasil vive um momento muito inspirado. Existe uma continuidade de gerações, músicos que vem fazendo um trabalho há 20, 30 anos e esta nova geração de excelentes, maravilhosos músicos. É isto que esta mostrando este Festival aqui em Tatuí. Primeiro por Tatuí ser uma escola e também pelo fato de trazer gente de outras regiões. Pra cultura brasileira é importante que este Festival aconteça mais 20 vezes, se firmando como o verdadeiro espaço que é. Parabéns!”
Silvio
Mazzuca Jr
“Espero que este Festival dure uns 125 anos! Que tenha sempre este espaço. É o melhor Festival que eu já toquei na minha vida!”
Teco
Cardoso
“Acho que a música instrumental passa por um momento fantástico. Este Festival é a prova disto, são várias gerações que estão aí, se dedicando a este tipo de música. Novos compositores, pessoas de renome, todos aí, juntos, numa grande festa. É um Festival fundamental! Acho que já é um marco na música brasileira e mundial. Acho que já, já, as pessoas viram de todas as partes do mundo para saber o que estamos produzindo aqui. Parabéns a produção e vida longa ao Festival!”
Zé
Alexandre
“Estou muito feliz de estar aqui nesta escola, que eu estudei durante 5 anos e que tenho o maior carinho, apresso e respeito. Voltar aqui no meio deste Festival, é fantástico! Poder ver o nível da moçada que está aí! É bom saber que a coisa vai continuar e principalmente, assim, com música brasileira. Tenho ido no boliche onde tá tendo a “canjação” e fiquei surpreso, se fosse no meu tempo só se tocaria standards de jazz e funk, mas aqui foi só MPB do começo ao fim. Acho que estamos num momento de sermos muito nacionalistas e tratar a MPB como coisa de segurança nacional, - a gente tem que preservar! Parabéns pro Festival e que se repita daqui para frente.”
Brasília
Brasil
“O que eu tenho a dizer é, acredito, que o Daniel e o Rogério concordam comigo, é que a gente é muito feliz em viver este momento, em especial na música instrumental brasileira. É um momento mágico juntar toda esta moçada, deste nível, é maravilhoso!”
Dimos Gouderoulis
“Eu que não sou brasileiro. Eu fico deslumbrado com a música instrumental brasileira, que é muito rica e tem músicos maravilhosos. Acho que a música instrumental, aqui, é uma das mais interessantes do mundo, com certeza. Os músicos brasileiros influenciam os músicos do mundo inteiro, apesar de não terem espaço, aqui, para se apresentarem. É fantástico este encontro aqui, pois, é um dos únicos festivais no Brasil, de MPB Instrumental, com aulas e altíssimo nível.”
Fernando Correa
“Para mim é uma honra ser convidado para o Festival. É uma iniciativa magnífica em prol da música e do músico brasileiro, para formação do instrumentista e do público. São iniciativas como esta que enriquecem a todos. Só lamento que isto aconteça muito esporadicamente e eu torço para que este encontro ocorra, não sei com que freqüência, se desse prá ser todo mês... O músico no Brasil não é muito valorizado e são oportunidades como esta que levam a gente a fazer as coisas.”
Caito Marcondes
“MPB Instrumental tem um peso fundamental na nossa cultura. A música instrumental é um celeiro de idéias. Este Festival é a prova disto. Aliás, este Festival está de parabéns. É um evento de uma magnificência, uma importância, em que os músicos participam com um prazer enorme, mantendo acesa esta chama, da pesquisa, da criação.”
Léa Freire
“Este é um dos projetos mais importantes que eu vi sendo organizado no Brasil. Foi muito bom ver tanta gente boa tocando, num lugar e numa condição tão feliz, pros músicos, pros alunos e pro público. Acho que foi um evento super marcante e deveria se repetir todo ano, porque se trata de uma identidade brasileira, da cultura brasileira e da música brasileira, que é um instrumento de poder, de cidadania e até de exportação.”
Bob Waitty
“Eu conhecia a música brasileira antes do país e das pessoas. Eu tenho uma paixão em casar o que eu sei fazer – o jazz com a MPB. Prá mim é um privilégio estar aqui, com estes músicos, neste Festival. Realmente tem coisas fantásticas acontecendo aqui. Eu não conheço outro lugar que tenha tanta música instrumental, assim, boa, acontecendo.”
Nelson Ayres
“O Festival poderia pensar que o músico sabe tocar muito bem, porém, é muito mal representado. Não existe nenhum deputado federal, estadual, vereador, que fale por nós. Não temos nem associações, nem a Ordem. Nós deveríamos refletir um pouco sobre isto. A gente não é uma peça isolada em casa estudando escalas. A gente é parte de uma sociedade e a gente merece uma representatividade melhor. São espaços como este, este Festival, que possibilitam estas coisas, mostrar música e discutir música.”
Mosar Terra
“Gostei muito de tocar aqui, um público ótimo. Gostei de ver tanta gente boa tocando, dando workshops e acho que esta iniciativa serve de exemplo para as escolas, conservatórios do Brasil e acho que os políticos deveriam olhar prá isto, pois, o produto de exportação brasileiro melhor que temos é a música. Vocês estão de parabéns aqui! Só posso jogar confete. Tá muito bom o que vocês fizeram aqui. Muito obrigado por ter me chamado.”
Joyce
“Eu fiquei muito feliz de vir a Tatuí e ver o que eu vi. Um monte de gente nova, ensinando, aprendendo, porque quem aprende ensina e quem ensina também aprende. Este festival prá mim é o que todos deveriam ser, congraçamento, uma união. Acho que a MPB Instrumental está num momento especial, com uma cara própria, uma personalidade, uma identidade cultural muito grande. Acho que cada vez mais a música criativa brasileira tem que se difundir, instrumental, cantada, pois a gente tem uma responsabilidade cultural muito grande com este Brasil. Parabéns e obrigado por terem me convidado.”
Rodolfo Stroetter
É difícil a gente imaginar uma congregação, assim, juntar músicos tão criativos, importantes num mesmo espaço, como Tatuí. Realmente fiquei surpreso, porque nestes dias aqui eu senti o ambiente mais integrado dos festivais que já participei. Música brasileira criativa, vocal, instrumental, com os estudantes, com os músicos, com o público, todos integrados, unidos. Fiquei extremamente feliz de ver isto acontecendo, nesta hora aqui no Brasil, em que a gente precisa que os instrumentistas e estudantes se congreguem para levar avante esta que é a música criativa brasileira. Este evento tem que continuar e manter a sua característica de programação bem dirigida e workshops bem concatenados.
Rafael dos Santos
“Realmente este Festival vem crescendo a cada edição. Ele vem adquirindo uma força enorme, o que é muito importante na nossa música instrumental. Tenho visto uma diversificação muito grande, não só nos shows, como nos workshops. Os assuntos são variados e todos de grande importância para o nosso trabalho. É muito bom prá gente poder ter um espaço assim prá mostrar o trabalho. Isto estimula a gente a trabalhar, a produzir. Tenho certeza que, como na anterior, esta edição, vai render muitos frutos. Está se criando uma tradição da maior importância pro nosso trabalho.”
Paulo Freire
“É uma grande honra poder participar deste Festival. Primeiro por estar do lado destes grandes músicos. Quando eu vi a programação eu fiquei encantado. São tantos músicos incríveis! Este tipo de evento proporciona aos jovens um conhecimento muito profundo da produção cultural brasileira instrumental, que vem de caminhos, às vezes, muito diferentes, que as pessoas tomam. O fato de ter workshop e show é muito importante, pois, é como se fosse uma continuidade do trabalho. Eu acho que esta iniciativa do Festival, quando é tomada por músicos, fica melhor ainda, porque eles sabem do que as pessoas precisam, como, o que, os artistas precisam. Estas são iniciativas cada vez mais raras no Brasil. É raro você poder fazer um encontro deste. Sempre que me chamarem eu vou vir correndo. É um prazer participar de um encontro destes.”
Paulo Sérgio Santos
“É nestes encontros que a música viva aparece. A existência dos alunos que estão interessados em aprender e a oportunidade das pessoas mostrarem o trabalho. Fazer um encontro como este, com trinta shows, num espaço de tempo reduzido é incrível! Você tem três shows por dia, acaba juntando até os artistas, um vendo o show do outro. Isto faz com que a gente se atualize, acumule energia, para manter a música nova. Este encontro é especial, mostra muitas tendências, todas vivas, emotivas, criativas.”
Guello
“Festival como este é um enorme incentivo prá gente continuar fazendo esta MPB maravilhosa, que a gente tem.”
Mané Silveira
A MPB Instrumental é uma das formas de arte, mais importantes que existe – a música pura. É o amor pelo instrumento, produzir sons e organizar sons. Isto no Brasil é uma coisa muito forte e eu fico feliz da MPB estar ganhando este espaço e o espaço no coração das pessoas. Na verdade, é só dar espaço que as pessoas gostam.”