Benedito
Lacerda, um dos flautistas mais atuantes e inovadores da música
brasileira, desempenhou papel fundamental na estruturação do chamado conjunto
regional, grupo de formação característica e de atuação marcante no
universo da música popular. O famoso Regional de Benedito Lacerda acompanhou
estrelas como Carmen Miranda, Mário Reis e Francisco Alves, entre
outros.Flautista, regente e compositor, aos 8 anos, começou a aprender flauta
de ouvido. Iniciou suas atividades musicais como integrante da banda Nova Aurora
em sua cidade natal. Aos 17 anos, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde
passou a residir no bairro do Estácio, famoso por abrigar sambistas e
batuqueiros. Estudou flauta sob a orientação de Belarmino de Sousa, pai do
compositor Ciro de Sousa. Estudou também no Instituto Nacional de Música,
diplomando-se em flauta e composição. Em 1922 ingressou na Polícia Militar, não
abandonando suas atividades musicais. De 1923 a 1925, participou da banda do
batalhão. Em 1925 foi aprovado em teste no qual executava a parte de flauta da
ópera "Il Guarany", de Carlos Gomes. Obteve sua transferência para a
Escola Militar do Realengo, como músico de primeira classe, tornando-se
solista.Em 1927 deu baixa, passando a viver de suas atuações em orquestra de
cinemas e teatros. Em 1928 participou de um grupo regional, os Boêmios da
Cidade, chegando a se apresentar com Josephine Baker. 1929 passou a tocar em
grupos de choros como flautista e em orquestras de jazz como saxofonista. 1930
no ano seguinte, organizou um grupo por ele batizado de Gente do Morro, nome
dado ao conjunto pelo compositor Sinhô. Neste conjunto, atuou como regente, além
de executar solos e cantar. Como cantor, gravou várias composições. Pouco
tempo depois, o grupo foi desfeito e, em seu lugar, surgiu o famoso Conjunto
Regional de Benedito Lacerda. O grupo contou com diversos integrantes até 1937,
quando se estabilizou com ele próprio na flauta, Dino e Meira nos violões,
Canhoto no cavaquinho. Este trio se constituiria na mais importante, criativa e
virtuosística base de acompanhamento na história da música popular. Essa
formação se manteve até 1950, ano em que Canhoto assumiu a direção do
conjunto, mudando o nome para Regional de Canhoto. Benedito Lacerda, além de
grande instrumentista, foi compositor de sambas, marchas e choros. 1933 Compôs
sua primeira música de carnaval: a marcha Vai haver o diabo (com Gastão
Viana), que se tornou espécie de hino do Clube
dos Tenentes do Diabo, a que ele pertencia. Ainda em 1933, venceu um concurso
musical pelo jornal "A Noite", com a composição junina Briguei com São
João, ganhando como prêmio uma flauta de prata. Com seu regional, brilhou em várias
emissoras, sendo que na Tupi, como no programa "O pessoal da velha
guarda", produzido por Almirante, entre outros, atuou por vários anos.
1935Ao lado de Carmen Miranda, participou de espetáculos de inauguração da Rádio
El. Mundo, em Buenos Aires, Argentina. O maior sucesso de carnaval de 1935 foi a
sua marcha Eva querida (c/ Luís Vassalo), gravada por Mário Reis. No ano
seguinte, repetiu a façanha com a marcha Querido Adão, gravada por Carmen
Miranda. 1940Apresentou-se com seu regional no Cassino da Urca e no Cassino
Copacabana. Nessa mesma época, atuou ao lado de Pixinguinha (saxofone), tendo
gravado para a RCA, com acompanhamento de seu regional, uma série de choros
antológicos (como 1x0, Ingênuo, Naquele tempo, Vou vivendo etc...), cuja
parceria, segundo consta, teria sido dada, na sua maioria, por Pixinguinha. Com
Pixinguinha, excursionou por todo o Brasil. 1942Foi um dos fundadores da UBC.
1944Venceu mais um carnaval com a marcha Verão no Havaí (c/ Haroldo Lobo),
gravada por Francisco Alves, e o samba Ninguém ensaiou (c/ Haroldo Lobo),
gravado por Aracy de Almeida. 1946Venceu o concurso da prefeitura carioca com a
marchinha Espanhola (c/ Haroldo Lobo), gravado com Aracy de Almeida.
1947Transferiu-se para a SBACEM, da qual foi eleito presidente em 1948 e
reeleito em 1951. 1948Com Francisco Alves, fez grande sucesso
com o samba Falta um zero no meu ordenado (c/ Ary Barroso), incluída décadas
depois (1985) na coletânea "O dinheiro na música popular", produzida
para o Banco do Brasil. 1952 Sua última marcha de sucesso foi Acho-te uma graça
(c/ Haroldo Lobo e Carvalhinho), gravada por César de Alencar, que na época
tinha um grande programa de auditório com seu nome, NA Rádio Nacional do Rio
de Janeiro. A música foi também premiada pela prefeitura. Nasceu em 14.03.1903
Macaé RJ - Falesceu em 16.02.1958 Rio de Janeiro RJ
URUBU MALANDRO
(Pixinguinha e Benedito Lacerda)e SERPENTINA (Nelson Alves) - Gravados ao
vivo no programa "O Pessoal da Velha Guarda", produzido por Almirante
consecutivamente em 5 e 27 de outubro de 1947.
AGUENTA SEU FULGÊNCIO (Pixinguinha e Lourenço Lamartine)
MISTURA E MANDA (Nelson Alves)





